Ravenna – Primeira Parte

fevereiro 21, 2010 at 9:03 pm (Tradução)

Essa é a primeira parte do poema Ravenna, escrito pelo inglês Oscar Wilde (1854-1900). Logo mais as outras partes serão postadas – a medida em que forem traduzidas. É importante saber que em nenhum momento a tradução busca a excelência da versão original, nada mais é que uma ilustração da beleza do escrito. Além disso, não me utilizei de métrica, nem fiz rimar os versos – buscando muito mais o significado dos versos que a parte estética, propriamente dita.

I

Há um ano respirei o ar italiano,

E ainda, esta Primavera boreal parece-me ser límpido

E estes campos feitos dourados com a flor de março

E pássaros a cantar no lariço repleto de plumas,

Sonoras gralhas-calvas e rolinhas irrequietas:

Pequeninas nuvens a percorrer o éter;

E a formosa copa gentil desfalecida da violeta,

A prímula, empalidecida pelo um desconfortável amor

A rosa que rebenta no arbusto espinhoso

Um leito de açafrão (que mais parece uma lua em chamas

Encerrada em uma aliança púrpura);

E todas as flores de nossa Primavera Inglesa,

Carinhoso Galanthus, o narciso de brilho estelar.

Lá no alto começa a travessura ladeando o tear murmurante,

E dilacera as teias da tristeza;

E desce esse rio, feito uma chama azul,

Audaz como uma flecha que voa o oceano-rei

Enquanto o pintarroxo canta na floresta frondosa.

Um ano atrás – parece pouco

Desde a última vez que vi o nobre clima do sul,

Onde a flor e o fruto se enobrecem à esplendorosa lufada,

E como lâmpadas luminosas as maçãs de fábulas se acendem.

Cheia de Primavera que estava – pelas vinhas floridas

Em sombrios bosques verde-oliva e nobres florestas de pinheiros

Eu fui até o desejo, onde a mais ardente feliz brisa era doce;

A estrada pálida rangeu sob as patas do meu cavalo,

E meditando no antigo nome de Ravenna,

Eu observei o dia lavrar, sinalizado com as chagas das chamas,

De um céu turquesa para lustrar o ouro que foi formado.

Oh, meu coração ardia com paixões da meninice,

Quando longe através dos campos e ainda mais

Eu vi a Terra Santa ascender óbvia,

Coroada com sua coroa de torres! – Por muito tempo

Galopei, corri no crepúsculo

E outrora passei o carmesim no arrebol da tarde,

E finalmente estava dentro dos muros de Ravenna!

_____________________________

Notas

Ravenna é uma homenagem à cidade italiana de mesmo nome. A cidade foi a terceira a ser capital do Império Romano do Ocidente. A referência se dá pela obcessão de Oscar Wilde por tudo que estava relacionado aos Romanos e, principalmente, Gregos. Com este poema Wilde foi laureado com o prêmio Newdigate em 1878 – enquanto estudava em Oxford.

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