Ravenna (Segunda Parte)
II
Que estranhamente calmo! Não have som de vida ou alegria
Amedronta o ar. Não há um sorridente jovem pastor
Assobiando sua flauta, nem mesmo durante o dia
Vem o jocoso som das crianças em suas brincadeiras
Oh triste e doce e silencioso! Certamente aqui
Um homem deve habitar sem considerar seus medos confusos
Observando vai-vém das estações, enquanto fluem
Da enamorada Primavera à chuva e neve do Inverno
Mas não há pensamento de pesar – na verdade, aqui
São as água do Letes (1) e as ervas daninhas mortais
Que fazem um homem esquecer sua pátria.
Ai! Entre o campo de lótus deves tu parar,
Assim como Proserpina (2), com a cabeça carregada de papoula
Guardando as ruínas sagradas dos mortos (3)
Pois ainda que tua linhagem de guerreiros tenha cessado,
Teus nobres falecidos estão contigo! – Eles ao menos
São devotos de tuas honras – Guarde-as bem!
Ó cidade sem criança, pela vigorosa palavra
A acordar o coração dos homens aos sonhos das coisas sublimes,
São as tumbas solitárias onde descansa o Senhor do Tempo.
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Notas
1. Letes – É um dos cinco rios do Inferno. O Letes é também conhecido como o rio do esquecimento, mo qual os mortos bebia, sua água para que as tristezas fossem esquecidas.
2. Proserpina – Filha de Zeus e Demetra, segunda a lenda romana, foi raptada por Hades enquanto colhia flores. Proserpina havia comido o bago de uma romã, não podendo assim abandonar o Mundo Subterrâneo de forma definitva. Assim, a deusa passava metade de seu tempo com Hades, metade no Olimpo. Na tradição grega, é chamada de Perséfone.
3. Guardando.. – possivelmente uma referência ao inferno (Hades).